UERJ
   Página Principal
   A Faculdade
   Nossa História
   Docentes
   Biblioteca
   Graduação
   Pós Lato Sensu
   CEPED
   PRH-ANP/MCT Nº 33
   Mestrado e Doutorado
   Núcleos de Pesquisa
   Publicações
   Interc. Internacional
   Eventos
   Escritório Modelo
   IX Juizado Esp. Cível
   Formulários
   Entidades
   RFD-Revista Fac. Direito
   Links
   Contatos
    Antonio Celso
    Ary Franco
    Caio Tácito
    Celso Mello
    Flávio Bauer Novelli
    Gustavo Tepedino
    José Pereira Lira
    Luiz Carpenter
    Mauricio Mota
    Nilson Amaral
    Odilon Andrade
    Oscar Dias Corrêa
    Oscar Tenório
    Ricardo Pereira Lira
    Simão Isaac Benjó
A Faculdade > Galeria de Diretores > Simão Isaac Benjó
imprimir |



Você sabe e acredita que esse homem, esse nosso colega e amigo, antes, muito antes de Bacharel em Direito, Advogado e Promotor de Justiça, foi e é professor de Matemática? É, de Matemática, coisa que nós, cultores do Direito, diria fisicultores do Direito, tanto tememos. pois, sim, Simão Benjó é um grande matemático e um excelente professor de Matemática, registrado, ainda em 1964, mal chegado ao Rio de Janeiro, na Secretaria de Educação do então Distrito Federal, tendo lecionado no primeiro ciclo do secundário e, já formado em Direito, no curso científico. Pode? Pode, quando se é capaz de compreender e exercer a universalidade do saber.

A primeira notícia que tive dele foi de ser Professor. Em 1968, no primeiro ano de meus estudos na Faculdade de Direito da UERJ, então na Rua do Catete, senti inveja de seus alunos, pois lecionava na turma que ia um ano na frente da minha, e o Pro de Direito Civil, então, acompanhava a turma todo o tempo. O carinho e a admiração que seus alunos demonstravam por ele, em comentários ouvidos nos intervalos das aulas, somados aos risos que, durante as aulas, de minha sala, podia perceber de seus alunos, pontuadas de bom humor e de leveza que somente os verdadeiros Mestres sabem transmitir, me aproximaram, anonimamente, de Simao Benjó. O homem ensinava sem bater...

A segunda notícia que tive dele foi de que era Promotor de Justiça deste Ministério Público do Estado então da Guanabara, desde 1963, carreira que então, maravilhosamente, começava pelo cargo de Defensor Público. Bem, se ser Promotor de Justiça era bom até para quem sabia bem Matemática, pensei, por que não tentar também? E Simão Benjó, antes de colega, sem saber, era um dos que despertavam em mim um pouco desta parca vocação...

A terceira notícia, ainda na Faculdade, é de que o homem, antes de lecionar Direito Civil, sabia e lecionava Direito Romano (!), tinha estudado com o venerado Professor José Carlos de Mattos Peixoto, de Direito Civil, que lhe ensinara Latim (!), e, de quebra, “Direito, Filosofia, Sociologia, Política, Literatura e, acima de tudo, vida e lealdade”, como diria Benjó no mesmo discurso antes referido, e só parara com o Direito Romano porque, em má hora, porque porque os alunos não sabiam Latim, acabaram com o Direito Romano no Curso de bacharelado. Bons tempos, antes, então, não se sabia apenas Latim...

E, no Ministério Público, quem foi e é Simão Benjó? Um dos poucos verdadeiros juristas que temos e que tivemos, na mesma linha de Roberto Lyra, de Cordeiro Guerra, de Raphael Cirigliano, de Everardo Moreira Lima, de Sérgio Demoro Hamilton, de Castão Lobão da Costa Araújo, de Celso Fernando de Barros e outros.

Honrou o Ministério Público de Estado do Rio de Janeiro, nele ingresando, aprovado em 2º lugar no Concurso, com média final de 88 pontos em 100 possíveis, em 30.05.63, como 5º Defensor Público, cargo que ocupou até 25.03.68, quando promovido por merecimento a 4º Promotor Substituto (até então, não havia nascido nenhum dos excelentes novos colegas Promotores de Justiça aprovados no nosso XVIII Concurso, e que tomaram posse em setembro de 1995).

Foi promovido, novamente por merecimento, a 12º Promotor Público, em 12.04.72, e, novamente e sempre por merecimento, em 16.02.82, a Procurador de Justiça. Aposentou-se em um dos poucos pecados e erros que cometeu, a pedido, em 21.06.95: deveria ter sido engavetado e, depois, indeferido, por impertinente, o pedido, pois mata de saudades a todos nós que sempre tivemos o privilégio de tê-lo por perto.

No Ministério Público, como na vida, foi e é um polivalente, transitando bem em todas as arcas, seja em órgãos de execução, seja em órgãos de administração. Esteve em muitas Varas Criminais, atuando como Promotor, por exemplo, nas 5ª, 9ª, 10ª, 11ª, 21ª e 22ª Varas Criminais; atuou em várias Curadorias; e ainda Promotor, foi Assistente no Gabinete de vários Procuradores-Gerais, tendo, ainda, marcante atuação como membro da Comissão de Fusão do Ministério Público dos Estados do Rio de Janeiro Guanabara, em 1975.

Foi Diretor desta nossa genial e querida “Revista de Direito” de 1975 a 1978, e hoje, para nosso gáudio, integra seu Conselho Editorial.

Integrou, ultimamente, de 1991 a 1994, a Assessoria de Direito Civil da Procuradoria-Geral de Justiça, como parecerista perante o Órgão Especial do Tribunal de Justiça, e aí pude me deleitar e aprender muito Direito e muito como se escreve bem, lendo seus primorosos pareceres em representações por inconstitucionalidade e em mandado de segurança, com uma veia de mágico publicista que este cultor e escultor do Direito Civil, que é Simão Isaac Benjó, tem e poucos sabem porque ele não deixa perceber.

Seu cargo, quando da aposentadoria, era de Procurador de Justiça junto à 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, e, aí, pontificou, como sempre, com o refinamento de saber e estilo que somente a idade pode trazer mesmo àqueles que são únicos, em sua geração, como Simão Benjó.

Escreveu muito, ao longo da vida, e muito tem honrado esta “Revista”, nela se deixando publicar. Merece releitura constante, é só pesquisar. Está nos devendo, a nós todos, escrever sobre Direito das Sucessões, notória predileção sua, que agora o tempo favorece desenvolver. Está nos devendo escrever sobre o Ministério Público, esta sua casa e este o seu ofício.

Continua abrindo as portas de sua biblioteca para os alunos e ex-alunos de Direito Civil e de Direito Romano, continua amigo de seus amigos, mesmo após formados.

Continua, e para sempre, Ministério Público.

Biografia realizada em vida, por Elio Fischberg, in Revista de Direito do Ministério Público, Rio de Janeiro, RJ, (2), 1995, p. 286-287.

imprimir || alto da página |



  Eventos
Junho / 2019
D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30
Legenda:
X Dia sem evento
X Dia com evento















Faculdade de Direito da UERJ - Pavilhão Reitor João Lyra Filho
Rua São Francisco Xavier, 524 - 7º andar - Maracanã - CEP.: 20550-900 - Rio de Janeiro - RJ